SOMBRAS DA ALMA!
 
 
Sombrias névoas de opacas luzes,
há breu no céu, tempestade iminente...
mortiços véus onde antevejo cruzes
profanas vozes, lampejos torpentes.
 
Negrume n´alma, vão nivor na palma,
no espelho vejo flutuarem sombras,
trovões noturnos a tirar-me a calma
queimando das nuvens as negras alfombras!
 
Trevas escondem de mim qualquer luz
nesta vida tão triste e conturbada;
tropeço em lama, mas levo a minha cruz
seguindo da existência a longa estrada!
 
Ninguém me ampara nesta provação
mas em meu peito inda há uma fé presente;
talvez a torne Deus aquela mão
que me puxe do abismo e me acalente!