Poema dos Sentidos
Tereza da Praia

Advirto a estes moços
Renunciar todo sentido.
Não me servem as palavras
Pois estão presas, sem vida.

Em minhas mãos de mímico
Sobram palavras e uma voz insiste
Em não reconhecer a minha química
Que só encontra uma substancia triste.

Autoproclamo a insignificância
Dos grandes gestos sem sentimento
Que calam minha voz cheia de arrogância.

Serei o contragolpe deste encantamento,
Desta mágica paixão sem doma
Que me embriaga com sua fragrância.

Tereza da Praia
Série: heterônimos


Lágrimas
Tereza da Praia
 
 
Saudades líquidas
rolam-me pela faces,
feito crital límpido.
morrem com gotas de sal
no oceano da lembranças.
 
 
Lágrimas quentes,
sem dor e sem angústia,
Correm, feito tranquilas águas
da fonte que levam a flor
para o insondável mar.
Lavam as mágoas
de um passado de amor
perdido no tempo de perdoar.
 
 
Perdão que me salga a boca
e tempera minha alma de doçura
e de paz.
Tudo valeu a pena.
Uma gotícula pequena
desce e morre
na foz do rio
da minha fantasia.
 

 


 
IN-CONFIDÊNCIAS


"O segredo é não correr atrás das borboletas..."
(Mario Quintana)

Nesta hora de sol puro, faíscas e claridades,
Estou dando férias ao onírico, à poesia.
Estou me dedicando à filosofia
Empreendo uma busca interna das verdades.

Vou amando o tudo pelas cidades
O tudo que implica o nada da alegria.
Estou buscando o todo que será minha alforria.
O todo inerente à parte das minhas inutilidades.

Neste exato momento exorcizo as falsidades,
Tomo um banho de alegria.
Liberto-me desta algesia.

Sou palco do existente, das realidades.
Crio, transformo, domino minha experiência.
Faço-me de mim, para mim mesma, a melhor companhia


Tereza da Praia
Série: Ponto de Fuga.