Nuances da Vida

Parte I


Vestida da pele nascida.

Poucos farrapos adornam.

Tristeza de alma perdida...

Como nascituro em fórceps.

Aborto da emoção.

Navalha forjada na desilusão corta a carne.

Alegria apagada.

Chama de lampião.

No braseiro ardente do coração,

Os pensamentos como veias sinuosas,

Rompem-se tingindo de carmim.

Eco de um grito.

Tiro de festim.

Está liberta do grilhão.

Não é mais prisioneira do escuro da solidão.

 




Estrada do viver




Esta estrada é grande.

Ah... Como é grande!

Cheia de obstáculos... Pedras... Muitas pedras.

Achei que de mãos dadas atravessaria tudo.

Sonho de menina... Sonhos da mocidade.

Não enxergava dificuldades... Somente a felicidade.

Soltou-me... Caminho só.

Por mais que retiro as pedras, ainda ficam mais.

Elas não param de aparecer.

Querem sobrepujar as lindas flores do viver.

Se não tivesse encontrado outra luz para cada amanhecer...

Já tinha desistido.

Sentaria na beira da estrada... Cansada...

Sem forças para caminhar.

Tu és tudo para mim agora.

Aprendi a te conhecer... E esperar no teu tempo...

Sem pressa, cada coisa acontecer.

Chego a esquecer do passado, sem estar enterrado.

Sei que tudo terá continuidade.

Nada é feito sem tua vontade.

O valor de tudo agora é diferente...

O meu céu continua azul...

Para muitas flores eu ver crescer.







Ainda sem Eco



Reconhecia cada lugar.

Cada cheiro que pairava no ar.

A solidão de tantos anos...

Parecia amenizar.

No fundo eu sempre soube...

“aqui é o meu lugar”.

O coração acelerado e transbordante...

Dava vazão e gritava de emoção.

Faltavam minutos para eu encontrar...

Tudo o que deixei e saí a procurar.

Estava aqui o que eu queria achar.

Serei sempre sua...

Você não ouviu o som gritante...

Sem Eco, sai sem resposta a vagar.


Ruthy Neves