SE EU NÃO AMASSE VOCÊ
Margaret Pelicano
 
 
Se eu não amasse você,
que desastre de vida,
boba e carcomida,
seriedade embutida
em baús de vida sofrida...
 
Se eu não amasse você, que desdita,
flecha desviada do foco,
existência bandida,
olhar entristecido
garoa congelante do inverno
montanhas cobertas de neve...
 
...belas e vazias,
existência rasteira,
ser que trôpego transita,
espalhando o mau humor,
o desiteresse,
o esquecimento da flor...
 
Se eu não amasse você...
...mas amei, com furor,
enlouquecida,
passei noites de ausência e horror,
outras em sua companhia
Valeu! E muito amor!
 
Brasília - 31/10/2007

NADA MAIS TRISTE
Margaret Pelicano

Nada mais triste
que a partida inconsentida,
os braços alongados
no desespero do triste fado...

Nada mais triste
que a cabeça abaixando,
o outro ser caminhando,
para outra situação...

Nada mais triste
que lembrar-se do que foi vivido
e não entender o sentido,
não conseguir esquecer a paixão...

Nada mais triste
que juntar cacos
ter mente e peito gelados
sentir da noite a sofreguidão!

Tudo isto existe
depois que partiste!
Foi e continua triste
manter em calma o coração!

Brasília - 13/02/2008

 

 

UMA ESTÓRIA DIFERENTE
Margaret Pelicano

Sou assim:
uma loba a uivar pra lua,
uma flor que às onze horas se desnuda,
um bicho no cio da vida crua,
um colar brilhante a enfeitar a bruma
um silêncio tão eloqüente,
um trabalho que ajuda as gentes,
uma máquina a andar pela rua....

Sou assim...
eterna paixão vivente,
amando o calor do sol bem quente
sorvendo o café da tarde com prazer,
um ser que ama viver,
que gosta de ver o bem acontecer,
que faz a consciência crescer
que ama o perfume das flores da noite...

De tanto ser assim sincera,
enérgica, exigente,
e de detestar usura,
fiz-me irmã sol, irmã lua,
irmã das árvores, dos animais,
das pedras, das matas, dos rios,
e quero ser irmã das gentes....
Mas esta é outra estória...
Uma estória...bem diferente!

Brasília - 11/04/2008