Por Um Adeus

Marise Ribeiro

 

Espero-te nas primaveras gentis,
Nos entardeceres dos áridos estios,
Nos invernos, olhos viciados em gris,
Nos cativos outonos dos dias vadios...

Espero-te na ânsia dos sentidos,
Nos recantos do corpo abafado,
No pálido peito doído e alagado,
Onde soam fracamente meus gemidos...

Espero-te à beira-mar, nas esquinas,
Na ilusão cínica dos nevoeiros,
Nos reflexos espectrais das vitrinas,
No isolamento dos lúgubres outeiros...

Espero-te sem traçar tempo ou medida,
Até que esta espera seja rompida...
Quando aí, sim, ao me vir nos olhos teus,
Hei de perceber enfim... o teu adeus!...

20/11/09

 

 

 


Inverno

Marise Ribeiro

Na memória me vem aquelas rosas,
Tão belas, enfeitando um frágil vaso...
Depois, guardadas secas ao acaso:
- Pedaços de lembranças dolorosas -.

Espinhos do ontem, tramas ardilosas
De um amor que sofreu pelo descaso.
Sangrando, foi chegando ao seu ocaso,
Esvaindo-se em noites nebulosas...

Sem cores, primaveras e desejo,
Quando até as mortas pétalas revejo,
Assim se encontra hoje o meu jardim...

Deixei o vento varrer toda a alegria...
Na alma escureci o sol que me aquecia
E fiz também o amor secar em mim.

16/06/11

 

 


Indefinido

Marise Ribeiro

Escrevemos nossa história
na sutileza da noite,
na interferência do dia,
nos matizes e deslizes da travessia...
Escrevemos nossas vidas
em cada ruga, em cada rusga,
em cada abraço de retorno ou de partida...
Escrevemos nas entrelinhas do destino
nossos segredos, degredos, medos,
e, sempre sem querer, nossos desatinos...
Escrevemos em nossas almas
momentos utópicos, também os reais,
os leais e até os vendavais
que nos arrancam da calma...
Escrevemos um romance
de aventuras, procuras, juras,
que não fosse apenas uma leitura de relance...
Escrevemos nossa saudade no tempo,
mas não sabemos
se no tempo presente ou em tempo ido...
Nosso verbo ainda se encontra indefinido!

01/03/10

 

 

 

Tube Mary