“A ESTÁTUA”

  

Lá estava ela:

Cálida

Tão magistral!

Lembro bem...

Tinha os braços abertos

Prontos para afagar.

E no silencio esparramava sua graça

Fazendo o vento retumbar

Numa emoção plena

Que se sentia a distancia.

Tão estática!

E cheia de graça

Enternecia os corações

Amava sem qualquer palavra.

Nada precisava

Espalhava ternura

Enchia os corações.

Era milagre mudo

Era tudo!

Enchia os olhos

Mudava a direção.

Estava lá...

E isso bastava.

Só o fato...

Fazia transbordar tudo por dentro

Num grito de fé gigantesco

Sabendo que ela ouvia a alma

E acalmava o coração.

Eu a via...

E nada mais existia:

Só meu ser compenetrado

E agradecido pela magia.

Só um instante

E tudo virando eterno e inesquecível.

Eu iria e ela ficaria ali

Pronta para mais um olhar

Uma nova benção

Trazida pelo vento

Grudada no pensamento

Numa mensagem única

Daquelas mãos paradas e tão sagradas.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 03/10/2011

 

 

“ADÚLTERA”

 

 Não mediu as conseqüências

Percorreu por caminhos desvairados

Dilacerou corações.

Deixou que o desejo ditasse as regras

E mostrasse a direção.

Dirigiu na contra mão

Rendeu-se ao apelo da carne

Enganou...

Mentiu...

Corrompeu seu corpo

De maneira absurda e imunda.

Viajou por tantas camas

Mergulhou em muitos corpos

Sentiu uma imensidão de gostos

Em gemidos tantos

Que enlouqueceram tantos quartos

Molhou tantas camas

Em mentiras deslavadas

De um amor que nunca amou.

Vivia de enganos...

Enquanto achava que enganava

E isso tanto a excitava...

Ludibriava a si mesmo.

Até que foi desmascarada

Encontrada em lençóis suados

Prova latente da sua veleidade.

Aí se fez o martírio:

Escorraçada e expulsada

Perdeu tudo por conta de sua luxuria.

Ficou ao desdém

Sem teto e sem alento

Passando a vender seu corpo por alguns vinténs

Para não morrer de fome

E implorar nas noites um teto

Dando em troca desejos fingidos

Para não ficar ao relento.

E quando o dia chegava

Na rua era então jogada.

Não era mais dona de nada...

Nem de si mesma!

Foi assim que traçou o resto de seus dias

Com um cheiro de suor forte impregnado na sua pele

E um perfume forte exalado

Paga também de um instante de prazer

Dado a alguém.

Morreu num canto fétido

Barraco escondido num canto

Onde as doenças de amor lhe consumiu.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 16/12/2008

 

 

“A CRIANÇA RENASCIDA”

 

 Já tem os passos lentos

O olhar cansado.

Já tem tantos silêncios

Tantas perguntas que nasceram através do tempo.

Já não pode voltar

Nem consertar...

O tempo passou

E agora se faz tarde para chorar.

Queria uma nova chance

Para começar diferente.

Não adianta meu velho

A criança ficou lá atrás

Com todos os sonhos

Cheia de fantasias

Carregada de estripulias.

Nem parece que foi você, um dia!

Se pudesse jogar fora esse presente

Agarrar-se ao passado de shorts surrado...

Não teria nenhuma duvida

Faria feliz cada instante

Ah! Como faria...

Apenas miragem do vovô.

Ensina seu neto então

Para que ele seja criança

Até esgotar a infância e suas regalias.

Assim não terá o teu arrependimento

Nem precisará implorar o passado de volta

Como você faz agora.

Pega nas mãozinhas pequenas dele

Mostre a ele o que é voar de pés no chão

Lambuzar-se de sorvete

Brincar de faz de conta...

Coisa que você não fez

E agora é muito tarde

Já que passado não volta

Nem dá chance de resgatar infância.

Ensina a ele, vai

Tudo que você perdeu

Para que ele não perca nenhum dia.

 

Marcos Sergio T. Lopes – 09/10/2011