Povo teimoso

Lúcio Reis

 

Venha cá e, cá para nós sem alarde

Olhar para o povo brasileiro de verdade

Vendo e enxergando seu jeito cetinoso

Chega-se a real conclusão: ou povo teimoso!

 

Mas não falo ou digo no sentido desdenhoso

Porem como admiração e nada de nervoso

Pois vivemos sob a alça de mira de armas letais

Atirando em todos os nossos pontos vitais

 

Por isso, não há no mundo eu duvido

Povo mais teimoso que o brasileiro

E se assim não fosse e, a tudo desse ouvido

A maioria estaria enterrada de corpor inteiro

 

Este povo é abundante e constantemente submetido

A várias causas mortis diariamente

E mesmo assim não liga, segue alegremente

Prosseguindo na gandaia e se divertindo

 

Cada dia surge um gatilho a disparar

Direcionado à sua cabeça para lhe matar

E são muitos que apenas alguns vou relacionar

E então você mesmo vai constatar

 

Tem a dengue, e também a gripe, a raiva em todo lugar

Não se esqueça da tuberculose, da raiva do cão

Ah! mas o morcego também transmite ao lhe sugar 

Mas e a AIDS, e o barbeiro no açaí e agora no feijão

 

Pensa que já terminou, então se enganou

E o trânsito, o assalto a residência que tudo levou

Agora chegou a moda: caixa eletrônico à estourar

Na capital, no interior em qualquer lugar

 

Esqueceu de relacionar uma antiga

Que de cordel virou cantiga

E o padre Cícero santificou

A seca do nordeste que bicho e gente mata e matou

 

Mas também tem moda atual sem perdão

Que tal dinamite em caixa de banco a explosão

É a desgraçada combinação do álcool e direção

De famílias a total destruição

 

Vale aqui também relacionar com distinção

O tráfico de drogas e do jovem a perdição

Pelo pó, pelo crack e total depravação

Do ser humano seus valores e sentimental relação

 

Porém, há uma outra covarde maldição

A matar gente pobre o ano inteiro, com judiação

É a que ocorre sobre o erário, a forte corrupção

Que rouba verba da saúde, da segurança e da educação

 

A única causas mortis que não ataca é a indignação

O brasileiro usa sua válvula de despreocupação

O futebol, o samba e a eterna gozação

Usando-se como foco de sua própria malhação

 

Por tudo isso, já seriamos um povo em extinção

Não fosse termos dado a Deus como berço esta Nação

E assim mesmo a despeito de tanta maldição

Continuamos leves, livres, serelepes em ação.

Belém do Pará

09/05/12

 

 

Anatomia

Lúcio Reis

 

Não queira ser uma cirurgiã

Com esse bisturi na mão e luva de lã

A pretender minha anatomia esmiuçar

E com os olhos de microscópio

Vasculhar cada sentimento em algum lugar

Como numa autópsia hospitalar

Pois eles são forte como ópio

E vão lhe enebriar

A visão vão lhe embaralhar

Não chega uma overdose provocar

E em nada em mim irá confirmar

Daquilo ou algo que possa desconfiar

Mas pergunte-me, que lhe posso dizer e falar

Sou apenas um ente vivo a deslizar

Na superfície do planeta a cantar

E nesse circular a felicidade tentando espalhar

Em cada composição ou num simples narrar

Um dia, uma hora qualquer em algum lugar

Vamos nos encontrar e abraçar

E lhe mostrarei sem nada ocultar

A minha anatomia particular

Belém do Pará

18/03/12

 

 

 

O Ar esta leve!

Lúcio Reis

 

Presto atenção, ligo um sétimo sentido

Não sei quem a mim o deu

Mas sinto-me, sem presunção, diferenciado

E capto que o ar está leve, claro sem breu

 

Talvez umas pétalas de rosa o tenha tocado

E ao soprar em nossa direção

Penetrou nosso ser e cada coração

Tudo fica estranho é ha no ar o ser amado

 

Há uma calma surpreendente

Uma paz especial e portanto diferente

Como que todos os toques musicais

Fossem de seres angelicais

 

Não ouço o disparo de canhão

Nem criança abandonada dormindo no chão

Ditadores fazem parte da história de maldição

A fraternidade é um elo da união

 

Ah! Hoje é dia da poesia, que maravilha

Um dia todos caminharemos por essa trilha

E os acenos de total satisfação

Será outro elo dessa igualdade e união.

Belém do Pará

14/03/12