FIM DE TARDE
Ligi@Tomarchio®

 

 Bucólica paisagem emoldura
esperança vã de um dia sonhado
horas de espera e preparo
coragem e ansiedade.

Seria o dia inaugural e completo
manhã ensolarada
todas cores, odores e flores
meu coração saltitando...

Eternidade em minutos
senti minh’alma corada
pálido rosto de mulher esquecida
olha ao redor, está só.

O chapéu sem utilidade
caído ao chão
companhia para aquela mulher perdida
olhar vago, lágrimas contidas
posando para o pintor fantasma.

               

 

 

ECOS DA INSENSATEZ

Ligi@Tomarchio®

Flores voando
pássaros plantados no montes
remotos, enevoando pensamentos
da loucura doce do amor.

Qual a dor resiste
ao clamor de um coração
que voa apesar do chão?

Pura demência feliz
do poeta, ator, atriz
cantando, dançando, voando...

Ecos da insensatez pura
da criança imatura, real
princesa do Olimpo
sem catástrofes nem lágrimas!

Ela vive agora e sempre
um voar sem nuvens
o vago olhar dos insanos
as correntes leves do som imaginário
a soberania dos humildes...

Vê tudo a serviço do Universo
serve e serve-se dele
canibal que é
alimenta-se de si mesma!

Da gruta soa ao longe
ecoando na vastidão da existência
sua voz rouca, frenética
saudando a grande incógnita
da vida e morte a se descortinar
no âmago da Terra.

 

 

 

CORAÇÕES SECOS

Ligi@Tomarchio®

  

Cântaros recolhem
pedaços de chão seco
onde a chuva
não conseguiu molhar.

Escorrem lamentos
de corações sedentos
almas secas
de tanto chorar.

Choro incontido
da fome a doer
corroer de mentes
onde as sementes?

Subsolo endurecido
tal os corações dos dirigentes
transviados sem direção
a carregar numerário desviado.

Rumo incerto para o povo
qual polvo e seus tentáculos
a procura dos caminhos
encontra destino e desatino.

O caminho longo a percorrer
com a fome a irromper
alimenta-se de esperança
o retirante ao anoitecer.

Dias e dias percorrendo caminhos
do desconhecido pensamento
querendo pão e engolindo vento
vendo o chão correr sob os pés.

Na bússola da memória
sudoeste marca imantada
desvão do coração ansioso
por labuta, recompensa da luta!

Fim do sonho.

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