Ponto G

(Lhenrique Mignone)

 

 Por toda vida o busquei a todo instante,

Não pela glória de encontrá-lo por primeiro,

Ponto ignoto que proclamam importante,

De convergência de tua essência por inteiro.

  

Ponto polêmico, controverso entre doutores,

Que afirmam, como Deus, que existe ou não,

E eu o busquei no universo de todos amores,

Na ânsia infinita de eternizá-los em paixão.

  

E hoje, ao proclamar ao mundo sua existência,

De meu achado, e o declamar em meus versos,

Posso afirmar, mulher, que toda tua essência,

  

Não se encontra em nenhum ponto localizado:

Ela é cada parte de teu corpo, de teu universo,

Que com carinho, ternura e amor seja tocado!

 

 

Vôo d´Alma

 ( Lhenrique Mignone)

 

 

Voa, alma destemida!

 Voa livre pelo céu da vida, 

Sem rumo, sem destino, ao léu.

 Voa como um pássaro, em crescentes espirais,

 Voa alto, bem alto, ao sabor das termais.

 Voa, mas voa rápida como uma flecha.

 Rompa as barreiras do espaço-tempo,

 E nem só por um momento,

 Te quedes, hesites ou olhes para trás.

 Voa, alma inquieta!

 Rasga as barreiras de meu peito

 E dele extrai meu coração e sonhos,

 Voa e leva para sempre contigo,

 de minha face o sorriso contido, 

tímido, por vezes sem jeito...

 Voa, alma minha, voa!

 Fuja e leva contigo estas lágrimas

 Que assomam em meus olhos tristonhos,

 Voa célere em busca de meu destino,

 Deixa para trás a alma de homem, 

Leva contigo esta alma de menino.

 Voa, alma apaixonada!

 Percorra lépida todo o universo,

 Por todo canto cante meu canto,

 Por toda parte recite meus versos,

 Em busca do ser amado,

 Que cessará de vez o infindo pranto.

E quando por fim a encontrares,

 Alma buscante, alma de menino,

 Entrega-te junto com meus devaneios,

 Acolha-a em teu colo, aninhe-a  em teus seios,

 Dispa-te  de tuas vestes, abra tua túnica,

 E cumpra teu destino:

 Busca tua alma e com ela se faça única!!!

 

 

RIO DE MINHA VIDA

 (Lhenrique Mignone)

  

Rio, por que ris e segues cantando, indiferente,

entre pedras, flores, seguindo o rumo de teu leito

Por que não te quedas, sequer por um instante,

e te lanças em quedas, cachoeiras, vezes dolente,

da fonte rumo ao mar, nuvem, chuva, ciclo perfeito?

 

Rio, por que cantas em corredeira, se ouves o pranto

que jorra de minh´alma triste e se funde a tuas águas

Por que, rio, diga-me porque mais que eu me encante,

não mais se ouve de meu peito a voz do suave canto,

Por que dele não lavas e levas contigo estas mágoas?

 

Rio, oh rio de minha vida, que é, a cada momento, assim,

fonte, curso, remanso, cachoeira, mar, nuvem, chuva,

em todas tuas fases, infinitas faces, porém sempre rio,

como eu, em busca de mim mesmo, sem início, sem fim,

levado pela corrente da vida, ora límpida ora turva.

 

Rio, rio de minha vida, rio de mim mesmo, somente rio,

ora ouço tua voz cantante e cesso meu infindo pranto,

mergulho em tuas águas, reencontro-me, menino vadio,

enlevado com tanto encanto, canto contigo da vida o canto

Sou fonte, oceano, chuva, sou rio.

Não mais choro...

só, rio!

 

 

Formatação e tubes, SuelyDam