Capturado


Eis-me aquí, Graça
Capturado pelos teus encantos
Deixa-me deitar o rosto
Em teu colo quente e nu
Quero te respirar profundo
Até tua alma simples
Respirar comigo

Me entrega o teu perfume
Sem ter juízo ou razão
Quero o teu cheiro filtrado
Da seiva do coração

Preciso dos teus beijos doces
Vinhos de raros sabores
Que a vida entrega à colheita
Em rituais de amores

Abre as adegas da alma
E dá-me a tua essência
Esta noite, apaixonado venho
Embriagar-me de tí .


Jose Balbino de Oliveira





Patética


Ontem o Janeiro foi embora
Somente hoje me dei conta
Das abafadas tardes, e infindáveis noites
Começa outro mês como outro qualquer

Era mesmo Janeiro,
Ou o meu coração se perdeu dos Janeiros?
Que não veio com as tardes de sol
(tardes alegres, quero dizer)
Tardes que faziam tremer o verão

Tenho alguns Janeiros na alma
Carimbados, guardados em pedaços
Despedaçados quem sabe, em sonhos
Que me rondam as silenciosas madrugadas

Quando o sono me arrasta para noites insones
Como a querer mostrar os meus dias felizes
Me abraço em Janeiros, me agarro em Janeiros
Para eu nunca desistir de mim

É quando tenho a impressão de um sorriso
E muitos sorrisos sorrindo nas praças,
Na chuva, nos parques, nos jardins
Nos ornamentos da juventude em flor
Cada qual mais sorridente
Mais meus e mais teus
Maior que tudo aquilo que passou .


Jose Balbino de Oliveira





Decisão


Nada de me falar de amor
Conjugando verbos no passado
Esquecendo o brilho que há na aurora
Meu músculo quer se embaraçar no teu
A vida quer te semear agora

Nada de me falar de amor
Com estas delicadezas espirituais
Eu quero a violação de corpos
O fanatismo das membranas
A espremer teus ais

Nada de me falar de amor
Com estes beijos velhos
E gosto de antigas lembranças
Reminiscências absurdas não quero
Nem em varais, pálidas desesperanças

Nada de me falar de amor
Com estes gestos antigos
Movimentos de quem disse adeus
Eu te proíbo moribundas recordações
Desrespeitando sentimentos meus

Eu quero os teus braços quentes
Em um vendaval de anarquias
Com um tempo incerto para festejar
Os movimentos fervescentes do amor
Na hora que ele aportar

Preciso de um beijo afobado
Que afogue minha boca em tua boca
E faça o corpo todo me beijar
O beijo que a mulher esconde tanto
E só o grande amor pode roubar

Agora que o amor está aqui
Coloco a minha vida em tuas mãos
E vamos açoitar estas campinas
Lírios brancos para teus cabelos
Trapos, sedas, rendas finas!


Jose Balbino de Oliveira