Quantas vezes...

Graça Ribeiro



Quantas vezes, diante de uma imagem
Somos movidos pelo desejo de rir mais
Seguir como se estivéssemos em viagem
Esquecer as malas num porto sem cais


Quantas vezes procuramos um motivo
para não sucumbirmos ao desalento
e encontramos na palavra o lenitivo
para aquietar a dor e o sentimento


Quantas vezes pensamos em desistir
ao ouvir o que a razão grita e diz
até entendermos o que é ser feliz


Quantas vezes o outro exige tanto
deseja mais do que podemos dar
e assim deixa própria vida passar
 



SOU
Graça Ribeiro


Ah! O olhar de lobo faminto
querendo descobrir a alma
desta mulher nua de medos

Esta mulher que fala da vida
como se comesse chocolate

Esta mulher que já viveu tanto
que agora olha a vida assim
sem espanto diante do sol

Esta mulher que um dia pensou
que poderia ser mais que linda

Esta mulher que de tanto amar
ficou viciada no amor de ser

Esta mulher que ouve o silêncio
dentro do nada pra se entender

Esta mulher que sou
versos à flor de mim
 

 

Há amores
Graça Ribeiro


Há amores que simplesmente não se explicam
Como os que se encontram no final de um dia
dando palavras ao canto expressivo da poesia

Há amores que definitivamente não desistem
buscam em todos lugares a sentida percepção
que motive mais e mais as batidas do coração

Há amores que se revestem de visível alegria
são milagres que transbordam nossa fantasia
dando à vida um pouco mais de magia

Há amores que sequer sabemos como decifrar
porque são como pétalas úmidas de orvalho
perfumando a cama do nosso imaginário

Há amores que à primeira vista ou leitura
materializam o nosso personagem preferido
e parecem saltar das páginas de um livro

Há amores que são tão plurais que a palavra
não consegue sequer aproximar ou tentar definir
Apenas sente o que é amor e deixa o outro sentir