Olhando-me de longe

 

Da janela do meu quarto

Em um dia sem maiores novidades

Olhei o escuro La fora, por ser algo que,

Necessariamente eu não precisava ver.

Pus-me a relembrar e

Por mais tempo que tivesse passado,

Ainda custava-me crer.

Era tudo tão relativamente seguro!

Apostava a minha vida sem temor

Naquela outra parte que se tornara minha

Para quem dei amizade, carinho,
 Amor, fidelidade e cumplicidade;

Ingredientes importantes demais

Para que alguém sem piedade

 Os violentasse ao meio.

E diante da perplexidade

De tamanha barbaridade...

A qual a vida me fazia sentir,

Como em um filme mudo,

Eu olhava os acontecimentos a desfilarem

Dilacerando mais a minha alma.

Ainda sem coragem de voltar a mim

Eu cada vez mais de mim me afastei.

Não querendo encarar a dor

Daquela mulher outrora tão confiante
 E por medo de sentimentos menores

Que ela fatalmente teria de enfrentar,

Continuei a me olhar de longe,

Não mais clamando, sofrendo,
Amando ou chorando...

Mas esperando que um dia,
 a vida em um surto feliz de generosidade

Resgate e entregue em suas mãos

Tudo aquilo que, sem anestesia

Castrou sem dó,

 Arrancando do seu coração.

 

Fanete Costa
24/02/2013

 

 

Principio, meio e fim

 

Aquela planta ainda pequenina

Sem suas nuances de definições

De uma forma para mim inexplicável

Acabou por me chamar a atenção.


Toque - ia com a pontinha dos dedos

Com muito cuidado para não machucá-la

Meu coração enlevado me dizia

Nada mais será necessário, menina

Ela só pede para ser cuidada.

 

E foi assim, que mais uma planta

Eu acrescentei e plantei no meu jardim.

Adubando o chão, aguando e cuidando
Logo ela crescia e parecia sorrir para mim.

 

Os dias pareciam sorrir para as duas,

Para mim por ver a beleza do cuidado

A ela por sentir-se cuidada e amada

 Sentindo que a mim se tornara necessária

Essa troca cotidiana nos perfumava.

 

Qual não foi minha dor quando um dia

Que costumeiramente ao jardim me dirigi

 Minha flor não mais lá se encontrava

Alguém maldosamente a arrancara

E não bastasse isso a desfolhara.


Vi-me sozinha e totalmente impotente

Negando-me a substituí-la simplesmente

Bem sei que um dia e em especial momento

O coração saberá a hora de mais uma rosa adotar

E mais uma vez a minha vida perfumar.

 

Fanete Costa

24/02/2013