Encantamento da Incerteza

(Delasnieve Daspet)

 

Estou quase dizendo

Embora ainda não queira falar.

Embora te diga isso o tempo todo,

Está em todas as palavras,

Sinta!

 

Sim!

Estou quase a dizer

O que está escrito na penumbra

De meus sonhos,

No murmúrio de ternura

Do sorriso da noite!

 

Quero falar

De meus medos,

Dos meu sonhos de encantamento

Do encantamento da incerteza!

 

Quero tanto te contar

- estou quase falando -

Mas se prestardes atenção

O sussurrar do vento

Já estará contando!

 

Preciso dizer

De todo o amor que tenho comigo,

Te aconchegar em meu peito

E continuar assim

Nada dizendo!

 

Preciso dizer

Que nossas descobertas

Estão na hora certa.

Que os despenhadeiros e as pedras

São partes de nossas asas,

Parte de nossas almas.

E que a vida não se extingue apenas

Nesta experiência!

 

Preciso e quero dizer

Que este encanto me envolve tanto.

Que és minha pele.

Teu cheiro que é meu.

É meu teu frenesi.

Preciso dizer?!

Preciso!...

 

 

Libelo à vida! 

(Delasnieve Daspet)

 

Sou um fragmento

neste universo infinito.

Um fugidío momento de prazer e

de eternidade.

Tenho muito a aprender

até respirar o último alento

deste ar precioso!

Que andei fazendo?

O tempo passou.

Águas rolaram.

A vida seguiu.

Eu não parei.

 

Não deixei envelhecer minh'alma.

Não!

Tenho, ainda - por companhia,

o suave farfalhar das folhas da

cálida brisa noturna!

 

E a lua, soturna e bela,

que me empresta seu nome,

sempre ilumina minhas noites!

 

E - nos dias - tenho o sol,

quente, belo e forte....

e então ?!

 

Não posso me furtar a

tomar minha parte,

- do mundo - que está

à minha espera!

 

Não me curvarei!

Não me considerarei derrotada.

Não me entregarei...

Nao deixarei meus sonhos

desvanecerem!

 

Busco meu resgate.

Luto pelo meu direito à vida,

à felicidade,

o de poder um dia,

no espelho da vida,

olhar-me nos olhos

e dizer-me: Fizestes!

 

Se melhor não foi,

não importa,

Me fiz presente!

 

 

A Partida do Beija-flor.

 (Delasnieve Daspet)

  

Pequenino ainda.

Um menino.

15 anos.

Era todo alegria. Como corria.

Como tinha pressa.

Pra que?

Só ele sabia....

Sabia que já era chegado

o momento do retorno!

 

Temos de agradecer.

Mas como?

Se cada célula do corpo dói...

Se só de pensar não se consegue nem sorrir!

 

É preciso agradecer!

O tempo passado junto.

As alegrias. Os folguedos.

Ah! guri....

Como é difícil te ver partir....

 

Queria te ligar agora, Nivaldo,

Queria te falar amigo.

Te dar meu abraço.

Te aconchegar no peito.

Te dizer que tudo é um sonho.

Que vais acordar,

que teu menino estará aí!

 

Mas não sei falar.

Embarga-me a voz.

O nó no peito cresce.

Se serve de consolo,

aqui, contrita, choro contigo,

a tua dor.

 

Mas - guri danado -

Sabemos que não irás assim.

Estarás em tudo...na pequena nuvem,

No sorriso triste,

pequeno beija-flor que partiu!

 

Não!

Ele não partiu!

Apenas retornou ao ninho!

Voou para o éden!

 

Retornou à casa do Pai!

Foi um empréstimo que fora feito.

Agradeçamos os belos momentos de Luz

que passaram juntos!

 

É difícil a devolução.

É difícil agradecer.

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delasnieve daspet (luna!!®)

00,54 hs de 12 de novembro de 2.000

Campo Grande MS.

 Para Nivaldo Filho e Familiares.