Carmo Vasconcelos

 

 

 

A Lágrima!
Carmo Vasconcelos

Não sei por que uma lágrima rolou,
teimosa e repentina pelo meu rosto,
se na minha alma mora um sol de agosto
e no meu peito um amor que despontou…

Por que tal emoção me transtornou
tal uma iluminura de sol-posto?
Se em vez de partitura de desgosto,
foi um concerto de anjos que chegou…

E nesse acorde de harpas promissor,
foi como o mundo então rodasse em cor,
alagando os meus olhos por te ter…

E a lágrima incontida transbordou,
e de ânsias liquefeita deslizou,
buscando os beijos teus para a sorver!
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Lisboa/Portugal
27/Outº/2012
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AMARGO-DOCE!
Carmo Vasconcelos


Fazes-me tanta falta, meu amor!…
Como o vento que enfuna a lassa vela,
o leme que impulsiona a caravela,
o estio que o fruto emprenha de calor!

Sem ti a noite despede o seu fulgor,
e eu fico cega ao breu desta janela,
se não me chega o teu brilhar de estrela,
fúlgida luz que ofusca a minha dor…

A dor de não poder aconchegar-me
no teu peito… teus dedos a afagar-me,
e o fogo do teu corpo ao meu colado.

E é como amargo-doce este licor,
de amar-te a conta-gotas mal contado,
em doses homeopáticas de amor!

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Lisboa/Portugal
6/Outº/2012

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ENCANTAMENTO
Carmo Vasconcelos


Há neste meu sentir, como que um freio,
um não poder versar com precisão,
porque habituada a pena a ler-me o seio,
se vê ora impedida pela emoção.

Foi como se um feitiço, estranho enleio,
me tomasse da mente a vastidão,
enredou-me a palavra de permeio,
e deixou mudo o verso, inerte a mão.

Enfeitiçado o verbo, fez-se encanto,
bolbo informe que espera pra romper
a terra madre donde o irei colher.

Sereno, aguarda o poema em gestação,
pendente dessa mágica eclosão
que me fará cantar todo o meu espanto!

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Lisboa/Portugal
14/Dezº/2012
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