DEFINIÇÕES
(Ariovaldo Cavarzan)

Reciprocidade é ditame de enredos,
em histórias de vida e amor.

Esperança é semente
lançada em canteiros de ilusão.

Felicidade é enfeite
em caminhos de realidade e solidão.

Paz é, quase sempre,
colheita de espinhos em seara de coração.

Campinas, 22 de abril de 2013

 




A ERA DO AMOR

Ariovaldo Cavarzan

Silenciem-se remorsos e murmúrios de saudade,
eis que é chegada a era da felicidade.

Em lugar de masmorras, semeiem-se jardins,
e onde vicejem dores,
que ressumbrem doces perfumes de amores.

Que suaves augúrios encham o ar,
e arrepios festivos façam vibrar de alegria
almas que se tinham incapazes de amar.

Que se busquem refrigério
em frondosas sombras recortadas no caminho,
e na água fresca brotada em nascentes de fé,
até que o manto estrelado da noite se faça de novo estender,
unificando tudo e restaurando a paz.

Através do tênue fio que se insere entre o sonho e o real,
escorrem paixões, tentando embalar corações acima do bem e do mal.

Perdigueiros aboiam patos em campos de flores,
e despossuídos grafitam guernicas de bonança
em muros esburacados,
ensaiando cenários de banquetes de restos.

Pregoeiros de amanheceres felizes exercem seus misteres,
e já vai longe o barco das perdidas ilusões,
singrando águas calmas em rios de recordações.

Imperioso manter-se em jornada,
a sós ou de mãos dadas,
eis que os riscos se esvaem em desvãos da caminhada,
e já vem perto a hora da chegada.

Um frêmito de realidade faz estancar quixotescos moinhos de vento,
ao olhar aturdido de patifes e heróis.

Árias de regozijo, fazem bailar maledicências e bondades,
feito sonhos transmudados em folhas,
sopradas num mesmo e delicado dançar.

Das entranhas da Terra, do fogo, do ar e das águas do mar,
emergem tempos de verdades,
desfazendo grilhões que aprisionavam irremediáveis vontades.

É chegada, enfim, a doce e ansiada era do amor.


24/03/2010

 




CANTO DE PRIMAVERA

Ariovaldo Cavarzan



Passeio o meu outono

na primavera de tua vida,

sensível às nuanças de cheiros,

claridades, cores e sabores,

a ressumbrar das flores

que enfeitam teu viver.



Inspiro cheiro de rosas,

gerânios, flores-do-campo,

de açucenas e de lírios,

entregando-me ao delírio,

ao recolher restos

desabados no chão,

para tornar perfumados

passados amores,

de idos caminhos percorridos,

em felicidade, carinho e alegria,

e em miríades bem formosas.



Recolho pétalas de lembrança,

despencadas ao chão,

inertes fragmentos de flores,

relembranças de

idealizados amores,

irrealizados ramalhetes,

umedecidos em

furtivas lágrimas de emoção,

feito pedaços liquefeitos,

brotados em fonte

de inexprimível paixão.


Passeio o meu outono

através da tua primavera,

renovando-me também,

qual fênix sem vida,

morta e outra vez renascida,

infensa aos espinhos,

de dores e desatinos,

entregue tão só

a relembranças

do que restou.
 



Entre o meu outono

e a tua primavera,

glacial e quase-eterno,

insinuou-se o intruso inverno,

mas ainda há canteiros semeados,

também mortos e outra vez revividos,

para enfeitar de luz,

cheiros, flores, cores e ternos amores

o meu coração.



22/09/2010



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