METÁFORAS
&
METAS

Alceu Sebastião Costa

Meu universo,
Grande e disperso,
Não cabe num único verso.
Quanto mais poesia,
Mais ele se amplia.
Dom e missão do poeta,
Que, para alcançar a sua meta,
Invade sonhos, mas não dorme,
Até se submete aos delírios da fome,
Embala o sono da criança,
Corre atrás da esperança,
Sorrindo e engolindo o próprio suor,
Planta sementes da Paz e do Amor.

Por tudo isso,
O meu universo
Não cabe num único verso.






EU, PARKINSON E A POESIA.

Alceu Sebastião Costa



Enquanto me dava à azáfama de cá,

Deixava as coisas do Excelso para lá.

Nada de brigas ou guerra declarada,

Apenas uma prioridade descartada.



Correndo atrás do tempo que corria,

Não via que há tempo não sorria,

Que ao meu redor a vida era latente,

Pois, na lida, me acercava de gente.



Quase tarde me apercebi do fiasco,

Que tinha em mim a venda do carrasco,

Auto flagelo, penitente inconsciente,

Longe do Pai, então me vi um ser carente,



Humanamente frágil, de culpa carregado,

Dei-me tempo, busquei o diagnóstico demorado,

Meses a fio, doze ou mais foram contados,

Mal de Parkinson aos 47 anos consolidados.



Tantas horas de longa e tormentosa espera,

O desgaste emocional, o rugir da fera,

Movimentos truncados, passos arrastados,

Ao diagnóstico novos dados acrescentados.



Não por mero conformismo,nem cretinismo,

Muito menos por cinismo ou masoquismo,

Pisei no freio, me abasteci de remédio,

Contratei fisioterapeuta, fugi do tédio.



Mas, isso era o óbvio, objetivo e sensato,

O mínimo necessário para alcançar bom resultado.

Se diz o ditado “cérebro parado vira oficina do diabo”,

O que não seria de mim, que logo me vi aposentado?



Depois de breve reflexão, olhei para o leite e o pão,

Tomado de calor pelo corpo, iniciei a mais importante oração,

Aquela decorada e singela, dos idos tempos do catecismo,

Que eu jogara no fundo da memória, relegando Deus ao ostracismo.



Foi um momento de transe, início de uma relação madura com o Pai,

Sem trauma e sem medo, que com mistério e segredo me atrai,

Me faz suplantar as limitações do corpo, me atira para frente,

A sintonia da fé e da esperança que me ativa como ser vivente.



Deus, na Sua infinita bondade, fixou entre nós um elo de ligação,

Abençoou a nossa harmonia sob uma saudável condição,

Que eu cultivasse a poesia como a minha mais nova missão,

Levando a importância do Amor e da Paz em cada coração.



Hoje sou um filho querido, um Parkinsoniano feliz, um poeta assumido,

Que cultua o verso e a rima, trazendo meu futuro assim resumido:

“Poesia - a minha arma companheira

E o alimento da minha alma mensageira”






PRECEITOS DA AMIZADE

Alceu Sebastião Costa



Se “Amigo é coisa para se guardar

Debaixo de sete chaves”,

Amizade é tesouro para se mostrar

Nos resplendores dos altares.



Amigo pode estar próximo ou distante,

A memória sempre o alcança,

Amizade não tem limites no espaço,

Seu respaldo é a confiança.



Amigo não escolhe idade nem classe social,

Importa a reciprocidade,

Amizade é fato gerador do Amor,

Pressupõe a sinceridade.



Amigo hoje é, amanhã pode não ser,

Talvez nunca tenha sido,

Amizade é princípio sagrado,

Que não pode ser esquecido.



Amigo quando parte, em viagem ou morte,

Dá lugar à saudade,

Amizade é a plenitude em si mesma,

Suplanta qualquer vaidade.



Se prezo os meus amigos e os guardo

No fundo do coração,

É porque cultivo a amizade, faço dela

As chaves da canção.