Que melhor forma de falar das queridas mulheres

que tratá-las carinhosamente pelo seu nome mais comum: Maria?





Teu nome, Maria

Eugénio de Sá



Admirar-te o colo, os ombros nus

Banhar-me em ti em tépido suor

E deixar-me ficar, doce torpor

Louvando o Éden a que fazes jus…


Maria, em Deus nasceste para amar

Qual Eva fascinante e corruptora

Que incitações efluis, tu, tentadora

E que prazeres promete o teu olhar!


És no meu ser o mote principal

Que me povoa os sonhos prodigiosos

Louvando aquilo que me é venal.


Maria, dos meus ais mais venturosos

Cumpres nos apogeus o natural

Entre êxtases e enlevos gloriosos.





Maria das Flores

Humberto Rodrigues Neto


A orquídea que um dia foi na mocidade
em dias de fastígio e de ventura,
Maria ainda conserva com amargura
no cofre imorredouro da saudade.

Do lírio, então em plena formosura,
guarda apenas na mente a suavidade;
hoje tímida violeta fê-la a idade,
ou um miosótis sem viço e sem candura.

Maria agora traz o olhar vermelho
das lágrimas choradas frente ao espelho,
ante um rosto que franze e se esfacela!

Pranto de perda da falaz vaidade,
tributo amargo da fatalidade
de um dia ter sido tão formosa e bela!



Portugal/Brasil

29.FEV.2016