TEMPOS DOURADOS
Humberto Rodrigues Neto

Tempos de sonho, em que a mente realça
minha garota a flutuar na valsa
sob os volteios de um amor sincero...
E vinha o mambo, um fox caprichado,
depois ao meu, seu rostinho colado,
curtíamos um romântico bolero!

Por sobre a anágua, a saia bem rodada,
a cinturinha fina e modelada,
como era bom rodopiar com ela!
Meu terno justo, na medida exata,
um brilhante afixado na gravata
e um perfumado cravo na lapela!

Tempo em que haurimos as canções da mídia:
“Besame Mucho”, “Dos Almas”, “Perfídia”,
em suspirosos tons sentimentais!
Hoje estou velho e fico aqui cerzindo
rotos farrapos de um passado lindo
que foi-se embora e que não volta mais!

Humberto Rodrigues Neto
S. Paulo/Brasil
Fevº/2012

 




TEMPOS DOURADOS
Carmo Vasconcelos

Tempos felizes, dum passado cheio,
lembrados quando em vez , pra nosso enleio,
memórias que nos trazem céus de encanto...
A colorirem nossa vida gasta,
onde parece nada haver que basta
e ser de sobra, só saudade e pranto.

Agora, o velho banco de jardim
chora em ferrugem lembranças de mim,
quando em abraço terno era adorada…
E até as roseiras, dantes tão floridas,
sem nossos madrigais, murcham doridas,
rogando orvalhos pela madrugada.

Longe ficaram os volteios de dança,
nesta imobilidade que nos cansa
dos frios cedês , gemendo tais boleros…
O romantismo foi-se na distância,
e os cravos na lapela, sem fragrância,
são quais amores d'hoje, não sinceros!

Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal
7/Fevº/2012

 

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